A ABEE PARTICIPOU DO ECOSP -ENCONTRO AMBIENTAL DE SÃO PAULO/ INOVAÇÃO PARA ELIMINAR DESPERDÍCIOS E TRANSFORMAR CRISES EM OPORTUNIDADES

Inovação para eliminar desperdícios e transformar crises em oportunidades

 

Em sua sétima edição, o Encontro Ambiental de São Paulo (EcoSP) ocorreu nos dias 23 e 24 de abril, no Novotel São Paulo Center Norte, na Capital, em meio às crises hídrica e energética que afetam sobremaneira o Estado. Assim, trouxe à tona contribui­ ções fundamentais para o enfrentamento dos desafios atuais. Entre elas, o incremento da participação de fontes renováveis na matriz energética paulista a partir do biogás, a gestão inteligente de resí­ duos sólidos oriundos da construção civil e a formação em Engenharia de Inovação, oferecida pelo Instituto Superior de Inovação e Tecnologia (Isitec), na perspectiva da sustentabilidade.

Os estudantes da primeira turma dessa gradua ção somaram-se ao público do evento. Diariamente, foram cerca de 800 participantes que circularam pela feira de produtos ecológicos e auditório – muitos dos quais universitários. Constituindo-se em importante fórum à discussão sobre o desenvolvimento sustentável no País, a iniciativa, promovida pelo SEESP e Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), insere-se no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, lançado pela entidade nacional em 2006 e atualizado desde então. À abertura, o vice­ -presidente do SEESP, João Carlos Gonçalves Bibbo, salientou a importância de tal encontro, destacando a inovação aliada à sustentabilidade como central em 2015. Nesse sentido, lembrou que o sindicato e a FNE também dão sua contribuição com a concretização do Isitec, que iniciou o seu primeiro ano letivo em fevereiro último. Para o coordenador do evento e também vice-presidente do SEESP, Carlos Alberto Guimarães Garcez, a grande missão do EcoSP é não só debater, mas disseminar as boas práticas ambientais. O secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo do município de São Paulo, Artur Henrique da Silva Santos, parabenizou os engenheiros que vêm discutindo, de forma pioneira e há muito tempo, a questão do desenvolvimento sustentável. “Para atingir esse objetivo, temos vários desafios, como gerar novas ideias e propostas com investimentos públicos e privados em mobilidade urbana, na crise dos recursos hídricos e até em garantir o trabalho decente, combatendo a desregulamentação do mundo do trabalho”, afirmou, referindo-se ao projeto recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados que amplia a terceirização para a atividade-fim.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, lembrou que participa do EcoSP desde os seus primórdios, quando era realizado na cidade de Taubaté, no Vale do Paraí­ ba. Parabenizando a inclusão dos recursos hídricos na pauta da atividade, Jardim aproveitou para reivindicar o acréscimo de outro assunto, a agricultura. “O Brasil precisa de políticas públicas mais perenes, e a engenharia pode contribuir para isso.” Já João Carlos de Souza Meirelles, secretário estadual de Energia, defendeu como urgente a discussão sobre o destino do lixo e de outras fontes de energias renováveis, por exemplo a partir do bagaço de cana-de-açúcar.

Na sua visão, os estudantes de engenharia são essenciais para pensar alternativas ao desenvolvimento que considerem tais questões. Nesse sentido, o secretário de Habitação do Estado, Rodrigo Garcia, realçou o pioneirismo do SEESP com a criação do Isitec, ajudando a formar profissionais voltados à inovação tecnológica. Fala que foi reforçada pelo deputado estadual Itamar Borges (PMDB/SP). Os vereadores paulistanos Aurélio Nomura e Mario Covas Neto, ambos do PSDB, indicaram a necessidade de se acabar com a cultura do desenvolvimento sem se preocupar com suas consequências. Já o superintendente de São Paulo do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério de Minas e Energia, Ricardo de Oliveira Moraes, ressaltou que o desafio é construir infraestrutura ao desenvolvimento com sustentabilidade. Engenharia de inovação Pensando a formação sob essa ótica, a graduação oferecida pelo Isitec foi tema da palestra ministrada pelo professor do instituto Marcelo de Melo Barroso. Conforme ele, não dá para pensar a sustentabilidade sem inovação. O docente explicou que o Isitec trabalha com os seus estudantes no sentido de não se ter medo do desconhecido e de se trabalhar em equipe e globalmente. E que é necessário, no ensino da Engenharia de Inovação, saber “aprender, desaprender e reaprender durante toda a vida”. E completou: “Precisamos pensar os problemas que ainda não existem.”

No ambiente da inovação trabalha-se com tecnologias existentes, demandas sociais e estoque de conhecimentos científicos disponível. O professor João Sérgio Cordeiro, também do Isitec, citou algumas inovações, ao longo da história da humanidade, como a construção das pirâmides do Egito, há 4 mil anos, da muralha da China, do banheiro com sistema hidráulico correto na Roma antiga ou de aquedutos, há mais de 2 mil anos. Políticas para garantir água Sob a ótica da inovação a serviço da sustentabilidade, desafio é fazer frente à crise hídrica no Estado. O Sistema Cantareira vem funcionando hoje bem abaixo de sua capacidade, com a utilização do volume morto. Saídas a esse grave quadro encontram-se entre os aspectos centrais debatidos em âmbito global durante o 7º Fórum Mundial da Água, realizado de 12 a 17 de abril na Coreia do Sul. Tal relato coube ao governador pelo Brasil no Conselho Mundial da Água, Newton Lima de Azevedo. Entre os pontos, ele elencou como de grande interesse do Brasil a necessidade de planejamento integrado de recursos hídricos; a demanda por incluir a água como tema transversal às diversas políticas públicas; a urgência em dar resposta à carência de coleta e tratamento de esgotos; a questão da governança, gestão e regulação; o tema do financiamento, recursos públicos e privados; a capacitação operacional – ao que anunciou a criação do Centro de Treinamento Hydrus, via acordo com a França –; e a importância de se utilizarem tecnologias já existentes, como ao reúso e à dessalinização.

Além disso, o encontro na Coreia do Sul deliberou pelo monitoramento das ações elencadas como prioritárias nesse espaço, bem como no fórum anterior, em Marselha, França, em 2012, rumo a Brasí­ lia, onde ocorrerá o próximo, em 2018. Biogás na matriz energética Já Marco Antonio Coutinho, gerente do projeto Reforço da Rede Tubular de Alta Pressão (Retap) da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), abordou as oportunidades à matriz energética a partir do biogás. Segundo ele, o Estado conta com 55,5% de fontes renováveis, ante 45,5% do País e 12,5% do mundo. “O governo paulista tem o desafio de até 2020 expandir esse índice para 69%.” Entre os projetos nesse sentido, está incrementar a produção de biogás, via fontes produzidas em aterros sanitários, vinhaça da cana-de-açúcar, efluentes, resíduos agrossilvopastoris e sólidos urbanos. Coutinho destacou que “a proposta da Comgás é fazer o processamento e tratar o biogás. O biometano resultante será distribuído aos clientes da empresa”. O palestrante salientou que tal inserção na rede está especificada na Resolução nº 8/2015 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a qual define os parâmetros para tanto e os usos do biogás, bem como o conceitua. Ele assegurou que existe tecnologia para tanto. Reaproveitamento de entulhos Oportunidade sustentável é ainda a reutilização dos resíduos gerados em obras, como apresentado pelo presidente da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção (Abrecon), Hewerton Bartoli. Ele alertou que o alto índice de perdas na construção civil, da ordem de 50%, é o principal responsável pela geração de entulho.

Reutilizá-lo significa, portanto, “economia de maté­ ria-prima, menos enchentes e menos polui­ ção”. Estímulo para tanto é a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que determina a responsabilidade compartilhada sobre o material descartado, planejamento e gestão de resíduos sólidos. Desafio, identificou Bartoli, é a conscientização do papel de cada um, inclusive do poder público, que “não tem dado a atenção que a área merece”. Também estiveram entre os palestrantes Antonio Carlos Zuffo, professor da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Campinas (FEC-Unicamp), que falou sobre o Sol como motor de variabilidade climática; Rinaldo Moreira Marques, da Geopesquisa Investigações Geológicas Ltda., sobre a geofísica aplicada à investiga­ ção ambiental; Tiemi Yamashita, consultora de sustentabilidade da Teia Projetos Ambientais, que abordou uma nova visão para se reduzir o desperdício de recursos essenciais à qualidade de vida a partir de técnica japonesa denominada Mottainai; e Hassan Barakat, engenheiro do Centro de Gerenciamento de Emergências da Prefeitura de São Paulo (CGE), o qual apresentou iniciativa desse poder público municipal à prevenção de catástrofes em caso de enchentes. Além do cônsul-geral adjunto do Reino dos Países Baixos em São Paulo, Rogier van Tooren, que trouxe a experiência do setor de água da Holanda, que converteu, por meio de tecnologias sofisticadas, o problema de inunda­ ções recorrentes em vantagem competitiva.

 Fonte : Jornal do Engenheiro 

Creditos: Rosangela Ribeiro Gil

Edit: Ano xxxIV N 473 / 15 de maio de 2015

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